A utilização de medicamentos com carga anticolinérgica em idosos institucionalizados
DOI:
https://doi.org/10.51126/jgn0fk40Palavras-chave:
Carga anticolinérgica; CRIDECO Anticholinergic Load Scale; Idosos; Nursing HomesResumo
O envelhecimento da população, associado ao aumento da prevalência de doenças crónicas e de declínio funcional, é um importante desafio para a saúde pública. Em idosos polimedicados, o efeito cumulativo de medicamentos com propriedades anticolinérgicas cria uma carga anticolinérgica significativa, que é identificada na literatura como um fator com impacto no aumento da fragilidade, comprometimento cognitivo e outros resultados clínicos adversos (Collamati et al, 2026; Pieper et al, 2020). O objetivo deste trabalho foi quantificar a carga anticolinérgica dos medicamentos utilizados por idosos institucionalizados residentes na região do Alentejo, em Portugal, através da CRIDECO Anticholinergic Load Scale (CALS) (Ramos et al, 2022). Foi realizado um estudo descritivo transversal analisando 75 perfis terapêuticos de idosos recrutados numa amostra aleatória de lares de idosos num município da região do Alentejo. A amostra era composta maioritariamente por mulheres (72%, n=54), com uma idade média de 85,6±7,6 anos e consumo médio de 9,95 ± 3,59 medicamentos. Cerca de 95% (n=71) dos idosos eram polimedicados (≥5 medicamentos). Em média, a amostra consumia 2.95±1,76 medicamentos que atuam no sistema nervoso central (ATC N). Foi detetada uma carga anticolinérgica em 89,3% (n= 67) dos idosos, com uma pontuação média de 3,3±2,51. O consumo de medicamentos do ATC N pode ter contribuído para estes resultados. Considerando ambos os sexos, a carga colinérgica foi significativamente (p=0,031) maior para as mulheres (3,7±2,64) do que para os homens (2,3±1,85). Verificou-se também uma correlação positiva moderada, estatisticamente significativa (R=0.508; p<0,001), entre a carga colinérgica e o número total de medicamentos utilizados. A carga anticolinérgica média para os idosos não-polimedicados (1,5±2,12) e polimedicados (1,2±1,33) foi semelhante, mas nos idosos com polimedicação excessiva (≥10 medicamentos) este indicador é significativamente mais elevado (3,6±2,52; p=0,022). A polimedicamedicação foi avaliada de forma quantitativa e não qualitativa. Futuros trabalhos poderão beneficiar deste tipo de avaliação da polimedicação. Conclui-se que a carga anticolinérgica em idosos institucionalizados é elevada, especialmente em indivíduos polimedicados e do sexo feminino. Estes resultados reforçam a necessidade de vigilância terapêutica e de revisão da medicação.
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