A complexidade da farmacoterapia em idosos longevos e polimedicados residentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI)
DOI:
https://doi.org/10.51126/rxbx7z89Palavras-chave:
Complexidade da Farmacoterapia; ICRM; Idosos; Nursing Homes; PolimedicaçãoResumo
Os avanços nos cuidados de saúde proporcionam maior qualidade de vida e, consequentemente, envelhecimento populacional. Os idosos institucionalizados são, na sua maioria, polimedicados e sob elevada complexidade farmacoterapêutica, exigindo cuidados e profissionais capacitados para a sua gestão (Alves-Conceição et al., 2018; Andrade et al., 2024). Este estudo visa caracterizar a complexidade do regime medicamentoso de idosos longevos e polimedicados, no Algarve, Portugal. Foi realizado um estudo descritivo transversal com idosos longevos (≥85 anos) e polimedicados (≥5 medicamentos), institucionalizados numa Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), selecionada por conveniência. A complexidade da farmacoterapia foi calculada com base na ferramenta Índice da Complexidade do Regime Medicamentoso, adaptada para o português (ICRM) (Melchiors et al., 2007). Dos 58 pacientes incluídos no estudo, 75,9% (n=44) eram mulheres, com média de idade de 91,1±4,57 anos, que administravam uma média de 9±3,21medicamentos. Cerca de 41% (n=24) dos idosos foram considerados excessivamente polimedicados (≥10 medicamentos). O ICRM médio foi de 18,2±7,85 pontos, e 50% (n=29) dos idosos apresentou um ICRM considerado elevado (≥16,5 pontos). A frequência da toma de cada medicamento foi o indicador com maior impacto no ICRM total (média 9,9±3,58 pontos), seguido do indicador relacionado com instruções e cuidados adicionais para cada medicamento (média 5,2±3,35). O ICRM foi semelhante entre os sexos (p=0,993), mas apresentou uma correlação positiva forte tanto com o número de medicamentos (R=0,821; p<0,001), como com a idade (R=0,927; p=0,012). Os idosos longevos e polimedicados apresentam uma elevada complexidade farmacoterapêutica, muito relacionada com a elevada frequência de administração de cada medicamento. A revisão da medicação pode ser uma intervenção que contribua para uma melhor gestão da farmacoterapia e para a diminuição de problemas relacionados com medicamentos.
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