Determinantes da Consulta do Nutri-Score em Consumidores Portugueses
DOI:
https://doi.org/10.51126/f3wzhj79Palavras-chave:
Escolhas Alimentares; Nutri-Score; Rotulagem NutricionalResumo
Introdução: O Nutri-Score (Hercberg et al., 2022) é um sistema de rotulagem nutricional que tem sido considerado eficaz para promover e facilitar escolhas alimentares mais saudáveis (Andreeva et al., 2021; Deschasaux et al., 2018). Diferentes estratégias governamentais para a prevenção de doenças crónicas não transmissíveis têm recorrido a esta ferramenta (Julia, Gokani & Hercberg et al., 2025; Egnell et al., 2019; Kelly, 2024), apesar de existir evidência que reporta que os consumidores não se sentem podem sentir algumas dificuldades na sua interpretação (Hafner & Pravst, 2024; Song, 2021). Objetivos: Descrever características sociodemográficas e perceções associadas à consulta do Nutri-Score em consumidores portugueses. Material e Métodos: Realizou-se um estudo quantitativo, observacional, analítico e transversal, que incluiu 508 indivíduos com idade ≥18 anos, residentes em Portugal Continental, recrutados através da divulgação do estudo em redes sociais e através de divulgação institucional. A inquirição foi realizada através de um questionário digital criado para o efeito. Resultados: Dos 508 participantes, a maioria era do sexo feminino (72%), residentes no Algarve (60,6%), com idades entre os 18 e os 82 anos. 67,9% estavam empregados a tempo inteiro e 42,1% possuíam formação académica de nível de Ensino Superior. Cerca de 72% eram responsáveis pelas compras do agregado familiar, realizadas principalmente em grandes superfícies comerciais como o Continente (70,5%), Pingo Doce (53,2%) e Lidl (52,6%). A maioria afirmou conhecer o Nutri-Score (71,5%) e, entre estes, 65,8% referiram consultá-lo sobretudo para fazer escolhas nutricionais mais saudáveis (79,5%) reduzir açúcar (33,9%) ou gordura (18%), e como forma de analisar produtos que compram pela primeira vez (36,4%). Entre os que não o consultavam, os motivos principais incluíram falta de interesse (30,6%) e de tempo (18,5%), desconhecimento da sua interpretação (12,9%), ou perceção de que esta ferramenta não tem em consideração a especificidade dos diferentes alimentos (30,6%). As mulheres consultam o Nutri-Score com mais prevalência (69,1%) do que os homens (58%; p=0,04). Não se encontraram diferenças na consulta do Nutri-Score de acordo com a idade, região de residência, escolaridade, rendimento económico, composição do agregado familiar ou existência de doenças crónicas nos participantes (p>0,05 em todas as variáveis). Conclusões: Conclui-se que o Nutri-Score é reconhecido e utilizado. Persistem barreiras à sua leitura, associadas ao desinteresse, à dificuldade de interpretação e à perceção de limitações do sistema. É importante promover intervenções complementares de educação alimentar e de promoção da literacia nutricional para potenciar o impacto do Nutri-Score na escolha de alimentos mais saudáveis.
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