Polimedicação em idosos longevos institucionalizados
DOI:
https://doi.org/10.51126/w28z5f62Keywords:
Idosos longevos, Medicamentos Potencialmente Inapropriados, Polimedicação, Nursing HomeAbstract
O envelhecimento, a fragilidade e a necessidade continuada de cuidados de saúde são identificadas na literatura como determinantes da institucionalização, do aumento do consumo de medicamentos (Cadenas et al, 2021) e de problemas relacionados com medicamentos (Sharma et al, 2024). O objetivo deste trabalho foi descrever as características associadas à polimedicação em residentes em Estruturas Residências para Pessoas Idosas (ERPI) considerados idosos longevos (idade≥85 anos). Realizou-se um estudo descritivo transversal utilizando os perfis terapêuticos de 80 residentes de duas ERPI no Algarve, Portugal. Incluiu-se os residentes com idade igual ou superior a 85 anos e com prescrição de dois ou mais medicamentos. Identificou-se os medicamentos através da classificação Anatomical Therapeutic Chemical (ATC) e os medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) através da EU(7)-PIM List operacionalizada para Portugal (Rodrigues et al, 2021). A amostra foi constituída maioritariamente por mulheres (n=68, 77,5%), com idade média de 91,2±4,45 anos. Cerca de 90% (n=72) foram considerados polimedicados (≥5 medicamentos) e, destes, 45,8% (n=33) eram polimedicados excessivos (≥10 medicamentos). Em média, os idosos consumiam 8,8±3,89 medicamentos e 1,7±1,32 MPI. Cerca de 78% (n=62) consumiam pelo menos um MPI e 25% (n=20) consumiam 3 ou mais MPI. Cerca de 53% (n=42) dos idosos longevos consumiam pelo menos um MPI pertencente a medicamentos do sistema digestivo e metabolismo (ATC A), nomeadamente medicamentos para úlcera péptica e doença do refluxo gastroesofágico (ATC A02B) (n=36, 45%). Os MPI que atuam no sistema nervoso central (ATC N) apresentaram também um elevado consumo (n=38, 47,5%), principalmente os MPI ansiolíticos (ATC N05B) (n=26, 32,5%). Ao contrário do indicado na literatura, não se encontrou associações entre a polimedicação e quaisquer características sociodemográficas (p>0,05) ou patologias previamente diagnosticadas (p>0,05). O tamanho reduzido da amostra poderá justificar a não-associação. Como esperado, os participantes polimedicados apresentam um número significativamente maior (p<0,001) de interações medicamentosas (9,8±7,85) do que os não-polimedicados (1,5±1,69). Os resultados sugerem que a polimedicação e o consumo de MPI é elevado em idosos longevos institucionalizados, independentemente das suas características clínicas e sociodemográficas. É importante implementar intervenções que permitam melhorar a gestão da medicação deste grupo populacional.
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