Casos suspeitos de raiva humana associados a mordedura canina no Município do Lobito
DOI:
https://doi.org/10.51126/xgr4xe37Palavras-chave:
Raiva humana; Mordedura canina; Vigilância epidemiológica; Uma Só SaúdeResumo
Introdução: A raiva humana continua a ser uma das zoonoses mais letais e negligenciadas em países em desenvolvimento, incluindo Angola, onde os cães representam o principal reservatório e vetor do vírus. Apesar da disponibilidade de vacinas eficazes, a presença de cães vadios e a baixa cobertura vacinal comprometem os esforços de controlo, favorecendo a manutenção da transmissão (Hampson et al., 2019; WHO, 2023). Objetivos:
Descrever os casos suspeitos de raiva humana associados a mordeduras caninas no Município do Lobito, província de Benguela, no período de 2022 a 2024, caracterizando o perfil das vítimas, dos cães agressores e a evolução clínica dos casos notificados. Material e Métodos: Realizou-se um estudo descritivo, retrospetivo e quantitativo, baseado na análise de dados secundários obtidos das fichas de notificação de casos humanos suspeitos de raiva e de agressões por cães. A amostra incluiu 10 casos fatais de raiva humana e os respetivos cães agressores. As variáveis analisadas incluíram espécie, estado clínico e vacinal dos animais, bem como características sociodemográficas das vítimas. Os dados foram processados no Microsoft Excel e analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Resultados:
Verificou-se um aumento progressivo das agressões caninas, com 924 casos em 2022, 1.191 em 2023 e 1.242 em 2024. Dos 2.422 animais registados, 38,6% eram cães vadios, e todos os óbitos humanos estiveram associados a mordeduras por cães. As vítimas mais afetadas foram crianças e adolescentes do sexo masculino, principalmente entre 11 e 15 anos, sendo as mãos o local mais atingido. Apesar da administração da profilaxia antirrábica em todos os pacientes, registaram-se 10 óbitos, sugerindo atrasos na procura de cuidados médicos ou falhas no manejo clínico. Conclusões: A raiva humana mantém-se endémica no Município do Lobito, com os cães vadios e não vacinados como principal fator de risco. O controlo efetivo da doença requer uma abordagem integrada entre saúde humana e animal, reforço da vacinação canina, vigilância epidemiológica contínua e educação comunitária, de acordo com o conceito “Uma Só Saúde”.
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