Efeitos da exposição das plantas ao Metronidazol – Revisão Sistemática
DOI:
https://doi.org/10.51126/2sv62s73Palavras-chave:
Metronidazol; Ecotoxicologia; Plantas; Contaminantes emergentes; FármacosResumo
Os antibióticos desempenham um papel essencial na medicina humana e na pecuária, sendo o metronidazol (MTZ), um derivado 5-nitroimidazólico, amplamente utilizado no tratamento de infeções anaeróbicas e doenças parasitárias. Apesar da sua eficácia clínica, o MTZ e os seus metabolitos persistem no ambiente devido a efluentes domésticos e hospitalares, à utilização ilícita em animais e à aplicação de resíduos como fertilizante, levantando preocupações significativas sobre os riscos para espécies não-alvo (Majidi et al., 2024). Realizou-se uma revisão sistemática tendo como objetivo reunir e analisar a literatura científica disponível sobre os efeitos da exposição de plantas ao MTZ, avaliando impactos fisiológicos, bioquímicos e morfológicos, de forma a fornecer uma compreensão dos riscos ambientais associados à presença deste fármaco em ecossistemas agrícolas e naturais. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados PubMed, Web of Science e Science-Direct, seguindo a metodologia PRISMA (Page et al., 2024) e incluiu exclusivamente estudos experimentais com plantas expostas ao MTZ. A qualidade dos estudos foi avaliada com base numa checklist adaptada do instrumento de avaliação crítica do Joanna Briggs Institute (Barker et al., 2024). Observou-se absorção do MTZ em todas as espécies, embora os efeitos tenham sido heterogéneos. Chrysopogon zizanioides, Colocasia esculenta, Allium cepa e Glycine max evidenciaram inibição do crescimento e aumento do stress oxidativo, enquanto Lemna minor e Zea mays apresentaram alterações mínimas. Entre os principais indicadores de stress registaram-se o aumento de espécies reativas de oxigénio, a redução do teor de clorofila, a diminuição da atividade fotossintética, o aumento da peroxidação lipídica e da atividade das enzimas antioxidantes e o comprometimento da síntese de ácidos gordos. A intensidade dos efeitos revelou-se dependente da espécie, da concentração de MTZ e da duração da exposição. De forma geral, os resultados sublinham a necessidade de um maior escrutínio sobre o destino ambiental e os efeitos não intencionais do MTZ. Esta revisão evidencia a escassez de estudos de longo prazo em condições ambientais, reforçando a importância de investigações futuras que permitam avaliar de forma robusta os riscos ecotoxicológicos deste composto.
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