Utilização de Modelos de Linguagem de Inteligência Artificial por Nutricionistas em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.51126/e1r22z75Palavras-chave:
Inteligência artificial; nutricionistas; nutriçãoResumo
Introdução: A integração de modelos de linguagem de inteligência artificial (MLIA) no domínio da nutrição representa, como em outras áreas científicas, uma oportunidade emergente (Bibault et al., 2025; Bond et al., 2023; Qin & Tong, 2025). Contudo, existem desafios à sua implementação correta, relacionados com a literacia digital, a confiança nos algoritmos e a adaptação à prática profissional (Belkhouribchia et al., 2025; Iqbal et al., 2025; Yu et al., 2025). Objetivos: Este estudo teve como objetivos determinar a prevalência de utilização de MLIA, identificar práticas específicas de uso, avaliar o nível de conhecimento e de confiança atribuídos a estas ferramentas. Material e métodos: Realizou-se um estudo quantitativo, descritivo e transversal, através de questionário digital, numa amostra não probabilística de 75 nutricionistas inscritos na Ordem dos Nutricionistas, recrutados através de contactos diretos ou por divulgação institucional. Resultados: Dos participantes, 73,3% referiram utilizar MLIA para fins profissionais, com periodicidade mais associada a “Frequentemente” (29,3%) ou “Às vezes” (22,7%), e com predominância significativa (p<0,001) na área da nutrição clínica (70,9%). Entre 1 (“Pouco”) e 4 (“Muito”), a maioria dos participantes (61,3%) reportou um nível 2 (“Algum”)” de conhecimento sobre MLIA. Os participantes usam os MLIA mais frequentemente para atualização de conhecimentos (26,7%) e para apoio na elaboração de recomendações alimentares e nutricionais (25,3%). Dos utilizadores, apenas 32,7% considera a informação fornecida pelos MLIA como sendo de confiança. Conclusões: Conclui-se que MLIA estão a ser integrados na prática nutricional, maioritariamente na nutrição clínica, e que uma proporção importante dos utilizadores considera-se neutro ou revela desconfiança com a qualidade da informação. A promoção da literacia digital e o reforço da investigação científica nesta área são fundamentais para garantir uma adoção informada, segura e ética destas tecnologias.
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