Comportamentos autolesivos na Adolescência em Portugal: Desafios e Caminhos para uma Resposta Integrada em Saúde Mental Juvenil

Autores

  • Maria de Jesus Candeias Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), Lisboa, Portugal; ISPA – Instituto Universitário, Unidade de Investigação em Psicologia Aplicada (APPsyCI), Lisboa, Portugal https://orcid.org/0000-0002-4986-8404

DOI:

https://doi.org/10.51126/v1bjzm25

Palavras-chave:

Saúde mental juvenil; Comportamentos-autolesivos; Funcionamento-familiar; Prevenção

Resumo

Introdução: Os comportamentos autolesivos e suicidários constituem um grave problema de saúde pública na Europa, incluindo Portugal, apresentando elevada prevalência sobretudo na adolescência. Estes comportamentos refletem frequentemente um percurso adolescente marcado por sofrimento emocional, com impacto significativo não apenas nos jovens, mas também nas suas famílias. A elevada incidência constitui ainda um desafio crescente para as escolas e para os serviços de saúde mental, exigindo respostas integradas e preventivas. Objetivos: A presente comunicação apresenta os resultados de uma investigação com adolescentes da comunidade escolar, centrada na identificação de fatores de risco individuais e familiares associados aos comportamentos autolesivos e na avaliação do impacto de um programa de prevenção universal em contexto escolar, refletindo sobre os desafios e caminhos para uma resposta integrada na sua prevenção. Método: Neste estudo, participaram 890 adolescentes portugueses, entre doze e dezanove anos, de duas escolas públicas da região de Lisboa. Utilizaram-se instrumentos de autorrelato para avaliar comportamentos autolesivos, traços de personalidade borderline, ideação suicida e funcionamento familiar. Implementou-se um programa quasi-experimental de intervenção universal — Mentes Saudáveis — com 137 adolescentes e uma ação formativa com 57 profissionais escolares. Resultados: Observou-se uma prevalência de 32% de comportamentos autolesivos, dos quais 7% já tinham tentado suicídio e apenas 13% tinham procurado ajuda psicológica. Observou-se que 29% apresentavam sintomatologia depressiva grave, 54% ideação suicida moderada e 18% severa. O funcionamento familiar disfuncional teve um efeito indireto significativo, mediado pelos traços de personalidade borderline e pela ideação suicida. O programa de prevenção com jovens mostrou eficácia, com redução dos comportamentos autolesivos, diminuição de crenças erróneas e aumento da procura de ajuda. A formação de profissionais escolares produziu melhorias no conhecimento, nas atitudes e na identificação de sinais de risco, embora persistam tabu e estigma institucionais. Conclusões: Os resultados confirmam o papel central do funcionamento-familiar para desenvolvimento e manutenção da psicopatologia e evidenciam a necessidade de intervenções ecológicas e integradas que envolvam jovens, famílias e escolas. Defende-se um modelo multinível — universal, seletivo e indicado — e políticas públicas articuladas entre saúde, educação e comunidade, promotoras de respostas continuadas e sensíveis à complexidade do sofrimento adolescente.

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Publicado

2026-03-19

Como Citar

Comportamentos autolesivos na Adolescência em Portugal: Desafios e Caminhos para uma Resposta Integrada em Saúde Mental Juvenil. (2026). RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia, 8(Sup). https://doi.org/10.51126/v1bjzm25