Prestadores de cuidados espirituais a pessoas adultas em Unidades de Cuidados Intensivos: resultados preliminares de uma scoping review
DOI:
https://doi.org/10.51126/8ekf6g97Palavras-chave:
Cuidado Espiritual, Enfermagem, Espiritualidade, Scoping Review, Unidades de Cuidados IntensivosResumo
Introdução: Em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), 60,2% das pessoas referem sofrimento espiritual e 85% identificam necessidades espirituais, embora a predominância do modelo biomédico limite a resposta a estas dimensões. Compreender quem presta cuidados espirituais (CE) e as suas necessidades formativas é essencial para promover uma abordagem centrada na pessoa, sobretudo em contextos onde a dimensão relacional, cultural e espiritual do cuidar continua a representar um desafio em saúde. Objetivo: Mapear os tipos de prestadores de CE e identificar as suas necessidades de formação e capacitação para a integração destes cuidados na prática clínica. Métodos: Scoping review realizada segundo as diretrizes do JBI e do PRISMA-ScR e cujo protocolo foi registado e publicado. A pesquisa foi efetuada em novembro de 2024 em 10 bases de dados: Academic Search Complete, Psychology and Behavioral Sciences Collection, APA PsycINFO, Cochrane Central Register of Controlled Trials, CINAHL, PubMed, Scopus, Web of Science Core Collection, OpenGrey e MedNar. Os processos de identificação, seleção, inclusão e extração de dados das fontes de evidência foi realizado por dois revisores independentes. Resultados: Foram incluídas 150 fontes de evidência e identificaram-se sete categorias de prestadores de cuidados: profissionais de saúde (ex.: enfermeiros); profissionais associados à saúde (ex.: terapeutas de medicina alternativa e complementar); profissionais de assistência pessoal em saúde (ex.: assistentes operacionais); profissionais de gestão e apoio em saúde (ex.: assistentes sociais, psicólogos); outros prestadores de cuidados de saúde (ex.: estudantes de saúde); outros profissionais (ex.: tradutores); pessoas não profissionais de saúde (ex.: familiares). Os enfermeiros foram os principais prestadores (80,0%), seguidos de profissionais religiosos ou espirituais (56,0%), familiares (37,3%) e médicos (35,3%). Assistentes sociais (19,3%), psicólogos e psicoterapeutas (5,3%) foram menos reportados. Globalmente, os prestadores de CE encontram-se insuficientemente preparados, com necessidades de formação contínua, desenvolvimento de competências e disponibilização de recursos que sustentem a integração estruturada dos CE na prática clínica. Conclusão: Os enfermeiros destacam-se como principais prestadores de CE em UCI, embora a literatura evidencie falta de preparação e necessidade de formação contínua. A diversidade de sete categorias profissionais identificadas evidencia o carácter transdisciplinar destes cuidados, cuja implementação na prática clínica exige conhecimento, capacitação culturalmente sensível, recursos adequados e reconhecimento institucional.
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