Intervenções para o luto prolongado em familiares de pessoas que morrem em UCI: resultados preliminares de uma revisão sistemática da literatura
DOI:
https://doi.org/10.51126/hs8g1t35Keywords:
Família; Intervenções não Farmacológicas; Revisão Sistemática; Perturbação de Luto Prolongado; Unidades de Cuidados IntensivosAbstract
Introdução: Estima-se que metade dos familiares de pessoas que morrem em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) estejam em risco de desenvolver sintomas de luto prolongado, associados a sintomas de ansiedade, depressão e perturbação de stress pós-traumático (PTSD), reforçando a necessidade de avaliar as intervenções de suporte existentes e a sua eficácia. Objetivos: Avaliar a efetividade das intervenções para prevenir ou tratar sintomas de luto prolongado em familiares de pessoas que morrem em UCI. Métodos: Revisão sistemática da literatura conduzida segundo diretrizes do JBI e PRISMA, com protocolo previamente registado e publicado. Incluíram-se estudos que avaliaram intervenções para prevenir ou tratar sintomas de luto prolongado em familiares de pessoas que morrem em UCI. Os resultados dos estudos foram analisados com base em medidas de efeito obtidas por instrumentos validados. A pesquisa, realizada em novembro de 2024, abrangeu as bases de dados CINAHL, Academic Search Complete, Psychology and Behavioral Sciences Collection, Cochrane Central Register of Controlled Trials, PubMed, APA PsycINFO, Web of Science Core Collection e Scopus. Dois revisores independentes efetuaram a seleção, avaliação e extração dos dados. Resultados: Foram incluídos oito estudos, seis estudos clínicos randomizados e dois quasi-experimentais, conduzidos em França, EUA e Austrália. Intervenções psicoeducacionais implementadas antes da morte, com comunicação estruturada, reduziram significativamente sintomas de PTSD, ansiedade e depressão três meses após o óbito. Mensagens preparatórias personalizadas evidenciaram tendências positivas na diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão no primeiro mês. Intervenções psicoeducacionais, implementadas antes, durante e após a morte, reduziram significativamente sintomas de luto prolongado, PTSD, ansiedade e depressão aos seis meses. Após a morte, intervenções como telefonemas ou cartas de condolências, não mostraram benefícios, tendo o envio de carta sido associado a agravamento significativo de sintomas de PTSD e depressão. Intervenções multicomponentes e storytelling, reduziram a prevalência de luto prolongado e depressão severa. Conclusões: Intervenções psicoeducacionais precoces e contínuas apontam para a redução de sintomas associados ao luto. Contudo, a heterogeneidade das intervenções e o predomínio de contextos ocidentais, reforçam a necessidade de estudos mais robustos e culturalmente diversificados. Esta revisão pretende contribuir para uma prática informada em evidência e para o desenvolvimento de futuras intervenções dirigidas a esta população vulnerável.
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