Testes não invasivos para a avaliação da função hepática na obesidade e após a cirurgia bariátrica metabólica

Authors

  • Ana Luísa De Sousa-Coelho UAlg
  • João Maia-Teixeira Unidade Local de Saúde do Algarve (ULSALG), Centro de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (CTCO), Faro, Portugal
  • Mercedes Sanchez Unidade Local de Saúde do Algarve (ULSALG), Centro de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (CTCO), Faro, Portugal
  • Maria Dolores Herrera Departamento de Farmacología, Facultad de Farmacia, Universidad de Sevilla, Sevilha, Espanha
  • Maria Alvarez de Sotomayor Departamento de Farmacología, Facultad de Farmacia, Universidad de Sevilla, Sevilha, Espanha

DOI:

https://doi.org/10.51126/nek2s893

Keywords:

Obesidade; Fígado; Enzimas hepáticas; Testes não invasivos; Cirurgia bariátrica metabólica

Abstract

A obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento da doença hepática esteatótica associada ao dismetabolismo, a qual pode progredir a fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular (Powell et al., 2021). A cirurgia bariátrica metabólica (CBM) surge como opção eficaz e duradoura para o tratamento da obesidade, podendo também promover a reversão de outras doenças associadas (Peri & Eisenberg, 2024). O objetivo deste trabalho foi avaliar a evolução da função hepática, através de testes não invasivos, em indivíduos com obesidade, 1 ano após o tratamento cirúrgico da obesidade. A população em estudo foram 20 pacientes submetidos a CBM. Além dos dados clínicos e bioquímicos, foram calculados os scores OWLiver®, com base no seu índice de massa corporal (IMC), níveis de aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT), e lípidos específicos (triglicéridos, glicerofosfocolinas, ésteres de colesterol, ceramidas e esfingomielinas, através de análise de metabolómica (cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas) em amostras de soro em jejum. O estudo obteve parecer positivo da comissão de ética e aprovação pelo conselho de administração. A amostra apresentava idade média de 47,5±9,5 anos e 70% eram do sexo feminino (n=14). Antes da CBM (m0), o IMC médio era de 41,6±5,2Kg/m2. Os níveis das enzimas AST, ALT, gama glutamiltransferase (GGT) e fosfatase alcalina (FA), eram de 23,8±7,4, 27,3±16,1, 27,6±20,8 e 75,3±23,9 U/L, respetivamente. Como antecipado, 12 meses após a realização da CBM (m12), os indivíduos apresentaram uma redução significativa do IMC, em média de 29% (29,0±4,0 Kg/m2; p<0,0001). Relativamente às enzimas hepáticas em m12, não se verificaram alterações estatisticamente significativas nos seus níveis médios em relação a m0. Já os resultados dos scores OWLiver® MASLD e MASH demonstraram uma redução significativa em m12 comparado com m0 (p<0,001), representando uma melhoria na classificação da (dis)função hepática em 55% dos participantes (n=11). Através deste estudo observacional, conclui-se que a análise isolada dos níveis das enzimas AST, ALT, GGT e FA, é insuficiente para identificar os indivíduos com maior risco de desenvolvimento de esteatohepatite e respetiva evolução (ou resolução) após o tratamento da obesidade, sendo recomendável a utilização de testes onde se inclui a análise de lípidos complexos.

Downloads

Download data is not yet available.

Published

2026-03-19

How to Cite

Testes não invasivos para a avaliação da função hepática na obesidade e após a cirurgia bariátrica metabólica. (2026). RevSALUS - International Scientific Journal of the Academic Network of Health Sciences of Lusophone, 8(Sup). https://doi.org/10.51126/nek2s893