Da Teoria à Prática: Perceção dos Enfermeiros sobre a Aplicação do Guia Orientador da Alimentação do Prematuro

Authors

  • Florbela Neto Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Viana do Castelo, Portugal; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal https://orcid.org/0000-0001-8148-5588
  • Margarida Reis Santos Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, RISE-Health, Portugal, Porto, Portugal
  • Ana Paula Marques França Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal; Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, RISE-Health, Portugal, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/cze9mh43

Keywords:

Recém-nascido prematuro; alimentação; enfermagem neonatal

Abstract

Introdução: A transição da alimentação por sonda para a via oral em recém-nascidos prematuros (RNP) é um processo complexo, com impacto na estabilidade fisiológica, no neuro desenvolvimento e na participação parental. Apesar da existência de instrumentos validados para avaliar a prontidão alimentar, a prática clínica permanece frequentemente baseada em critérios subjetivos, como idade gestacional, peso e volume ingerido. O Guia Orientador da Alimentação do Prematuro (GOAP) foi desenvolvido para apoiar a tomada de decisão através da avaliação sistemática de sinais comportamentais e indicadores de stress. Antes da sua implementação em contexto de UCIN, todos os enfermeiros envolvidos na alimentação dos RNP receberam formação específica. Objetivo: Conhecer a perceção dos enfermeiros sobre a aplicação do GOAP, explorando vantagens, dificuldades e contributos para a melhoria das práticas de alimentação em Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN). Metodologia: Estudo qualitativo, exploratório e descritivo, com entrevistas semiestruturadas a 10 enfermeiras especialistas em saúde infantil e pediátrica que utilizaram o GOAP em contexto de UCIN. A análise de conteúdo de acordo com Bardin (2018). As participantes tinham idades entre 34 e 52 anos (M=43,2; DP=5,6) e uma média de experiência profissional em UCIN de 17,1 anos (DP=8,3). Resultados: Emergiram quatro temas: primeiro contacto com o GOAP, estrutura, vantagens e sugestões de melhoria. As enfermeiras descreveram o primeiro contacto como desafiante, pela novidade e complexidade da interpretação dos sinais comportamentais, mas rapidamente reconheceram a clareza e aplicabilidade do GOAP, reforçando a utilidade na avaliação e na tomada de decisão, em consonância com Restall et al. (2020). Entre as vantagens, destacam-se a uniformização da linguagem profissional, a promoção da prática baseada na evidência e melhoria da continuidade dos cuidados (Maggioni & Araújo, 2020). Como sugestões, salientaram a necessidade de formação contínua e a integração do GOAP no sistema informático, aspetos apontados como determinantes para a sustentabilidade das práticas inovadoras em contexto neonatal (Nielsen et al., 2024). Conclusões: O GOAP é reconhecido como uma ferramenta estruturante, promotora de cuidados individualizados, seguros e baseados na evidência, com benefícios claros para enfermeiros, RNP e pais, cuja consolidação depende do investimento institucional em formação e integração tecnológica.

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Published

2026-03-19

How to Cite

Da Teoria à Prática: Perceção dos Enfermeiros sobre a Aplicação do Guia Orientador da Alimentação do Prematuro. (2026). RevSALUS - International Scientific Journal of the Academic Network of Health Sciences of Lusophone, 8(Sup). https://doi.org/10.51126/cze9mh43