Uso Intravaginal Prolongado de Café como Prática Cultural de Estreitamento Vaginal: Relato de Caso
DOI:
https://doi.org/10.51126/7hz8dx41Keywords:
Café intravaginal; corpo estranho vaginal; práticas culturais; saúde ginecológica; relato de casoAbstract
Introdução: A inserção voluntária de corpos estranhos no canal vaginal, embora pouco documentada (Surya et al., 2016), é uma prática observada com relativa frequência nas unidades sanitárias de Angola que prestam cuidados à saúde da mulher. Em virtude da forte carga cultural e tradicional presente no país e em outras regiões do continente africano, tais práticas são frequentemente atribuídas a fatores culturais. Além disso, a prática empírica é amplamente realizada, sendo por vezes incentivada por profissionais de saúde ou por pessoas singulares (Dunphy & Sheridan, 2021). Geralmente, também pode estar associada a situações de abuso e a distúrbios psiquiátricos. Objetivo: Descrever o impacto de uma prática cultural empírica na saúde ginecológica de uma jovem mulher. Material e Métodos: Trata-se de um relato de caso de uma mulher de 25 anos atendida em unidade de saúde em Angola, com histórico de uso intravaginal prolongado de café em pó, motivado por crenças tradicionais relacionadas ao estreitamento vaginal. Resultados: A paciente apresentou disúria, dispareunia, polimenorreia, corrimento vaginal fétido, febre intermitente e perda ponderal com evolução de aproximadamente um ano. O exame ginecológico revelou corpo estranho endurecido, de superfície irregular e parcialmente aderido à mucosa vaginal, que se fragmentou durante a remoção, liberando secreção seropurulenta acastanhada e odor fétido. A paciente relatou o uso habitual de café em pó intravaginal desde os 16 anos, sob orientação materna. Exames imagiológicos (ecografia pélvica e endovaginal) não evidenciaram alterações relevantes. O tratamento consistiu em remoção completa do corpo estranho, antibioticoterapia empírica e suplementação de ferro, resultando em recuperação clínica integral e resolução dos sintomas após 30 dias de seguimento em ambulatório. Conclusões: O caso evidencia como práticas culturais empíricas podem comprometer a saúde ginecológica e reprodutiva, reforçando a importância de estratégias educativas e preventivas para minimizar repercussões negativas na saúde física e psicossocial da mulher, promovendo um cuidado integral e humanizado.
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