A Arquitetura Mental do Interior do Corpo Humano: Um Estudo Exploratório com Estudantes de Belas Artes
DOI:
https://doi.org/10.51126/2sdg2z07Keywords:
Interior do Corpo; Arquitetura Anatómica; Representação Mental; Técnica Projetiva do Desenho; Estudantes de Belas ArtesAbstract
Introdução: A representação mental da Pessoa Jovem e da Pessoa Idosa atravessa uma multiplicidade de conceitos de natureza evolutiva e simbólica, sendo permeável a inúmeros fatores que transcendem as convenções biopsicossociais tradicionalmente associadas aos estágios do ciclo de vida. A forma como o corpo é imaginado, percecionado e registado graficamente, reflete não apenas conhecimentos anatómicos, mas também construções culturais, afetivas e cognitivas que modulam a trajetória desenvolvimentista. Objetivos: O presente estudo tem como objetivo compreender de que modo os discentes da Unidade Curricular de Anatomia, de um curso de Licenciatura em Belas Artes, representam mentalmente a morfologia interna do corpo humano de uma “Pessoa Jovem” e de uma “Pessoa Idosa”. Materiais e Métodos: A investigação foi suportada em desenhos como técnica projetiva efetuados graficamente em registo de papel e lápis de grafite por 126 estudantes de uma Instituição de Ensino Superior em Belas Artes, situada na Área Metropolitana de Lisboa. Cada participante foi convidado a desenhar o interior do corpo humano de uma Pessoa Jovem e de uma Pessoa Idosa, totalizando 252 desenhos. A cotação dos perceptos pictóricos foi realizada através de uma matriz de análise de conteúdo elaborada, especificamente para este estudo, que permitiu a categorização e comparação dos principais elementos anatómicos representados. Resultados: Os resultados evidenciaram diferenças significativas na representação pictórica das duas figuras. As imagens da Pessoa Idosa destacaram-se pelo acentuar das curvaturas da coluna vertebral, recessão do maxilar inferior e flacidez muscular, contrastando com a estrutura mais ereta e tonificada atribuída à Pessoa Jovem. Foi, ainda, observada a inclusão de elementos acessórios, tais como bengalas ou outros instrumentos de apoio, na representação a figura de um idoso, sugerindo, assim, uma associação simbólica entre o envelhecimento e a dependência física. Conclusões: Podemos concluir que, embora o esquema corporal interiorizado apresente traços comuns a todos os participantes, a imagem corporal revela-se como uma construção subjetiva, singular e profundamente vinculada à experiência individual, às referências sociais e às memórias de cada sujeito. Assim, o corpo, mais do que uma entidade biológica, emerge como um espaço simbólico e expressivo, no qual se inscrevem perceções, crenças e imaginários percecionados sobre o ciclo da vida.
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