Fatores de risco associados à Síndrome de Fadiga Digital em estudantes de Tecnologias da Saúde

Authors

  • Maria João Barata Serviço de Oftalmologia, Unidade Local de Saúde de São José, Lisboa; Universidade de Évora, Évora; Departamento de Ciências da Terapia e Reabilitação, Escola Superior de Saúde de Lisboa, Lisboa; Comprehensive Health Research Center (CHRC), Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal https://orcid.org/0000-0002-0889-4809
  • Pedro Aguiar Comprehensive Health Research Center (CHRC), Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa; Departamento de Estratégias da Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • André Moreira-Rosário Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa; Comprehensive Health Research Center (CHRC), Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Carla Lança Comprehensive Health Research Center (CHRC), Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa; Divisão de Ciência, Universidade de Nova York Abu Dhabi, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

DOI:

https://doi.org/10.51126/qc4my906

Keywords:

Fadiga Digital; Visão Binocular; Convergência; Acomodação; Olho seco

Abstract

Introdução: Estudantes de tecnologias da saúde apresentam risco acrescido de desenvolver Síndrome de Fadiga Digital (SFD) devido ao uso intensivo de dispositivos digitais. A SFD caracteriza-se por sintomas visuais semelhantes a alterações da visão binocular e da superfície ocular, com impacto na qualidade de vida. Objetivos: Este estudo teve como objetivo avaliar a frequência da SFD em estudantes do ensino superior e investigar a sua associação com alterações da visão binocular e da superfície ocular. Material e Métodos: Na Escola Superior de Saúde de Lisboa os estudantes que cumpriam os critérios de elegibilidade foram convidados a participar neste estudo observacional. Foi aplicado o protocolo DESIROUS, previamente validado, que integra dados sobre saúde visual e uso de dispositivos digitais, bem como três questionários validados e avaliações objetivas da visão binocular e da superfície ocular. Resultados: O estudo incluiu 146 estudantes (idade média 20,4±2,8 anos), com uma utilização diária média de smartphone de 5,5±2,0 horas, sendo este o dispositivo mais frequentemente utilizado. Sintomas de SFD foram reportados por 76,0% (n=111), dos quais 57,6% usavam correção ótica e 18,0% lentes de contacto. Entre os estudantes com SFD, 50,5% (n=56) apresentaram alterações da visão binocular, sobretudo insuficiência de convergência. Na avaliação da superfície ocular, o tempo médio de rutura do filme lacrimal (BUT) foi de 3,1±2,2 segundos, encontrando-se reduzido em 97,3% (n=108). Participantes sintomáticos apresentaram alterações da estereopsia (p=0,020) e valores de BUT significativamente menores (p=0,025) face aos assintomáticos. Na análise de fatores de risco, maior BUT estava associado a um efeito protetor (OR=0,85; IC95%: 0,72–0,99), enquanto uso de smartphone ≥6h/dia estava associado a um aumento da probabilidade de SFD (OR=2,55; IC95%: 1,04–5,74). Conclusões: Conclui-se que a SFD apresenta elevada prevalência entre estudantes de tecnologias da saúde. Instabilidade do filme lacrimal e uso intensivo de smartphones foram identificados como principais fatores de risco. Apesar da presença de alterações da visão binocular, não se encontraram associações estatisticamente significativas. São necessários estudos de maior dimensão que permitam fundamentar o desenvolvimento de protocolos clínicos e normas de utilização de dispositivos digitais.

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Published

2026-03-19

How to Cite

Fatores de risco associados à Síndrome de Fadiga Digital em estudantes de Tecnologias da Saúde. (2026). RevSALUS - International Scientific Journal of the Academic Network of Health Sciences of Lusophone, 8(Sup). https://doi.org/10.51126/qc4my906