Acompanhamento de Sobreviventes de ECMO após a Alta da Medicina Intensiva

Authors

  • Paulo Costa Serviço de Medicina Intensiva, Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal
  • Liliana Fontes Serviço de Medicina Intensiva, Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/k7z0kd91

Keywords:

ECMO; Cuidados de Seguimento; Resultados de Cuidados Críticos; Unidades de Terapia Intensiva; Continuidade da Assistência ao Paciente

Abstract

Introdução: A oxigenação por membrana extracorporal (ECMO) tem vindo a aumentar a sobrevivência em doentes críticos com falência cardiorrespiratória. Contudo, após a alta da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), estes sobreviventes apresentam sequelas físicas, emocionais e sociais, frequentemente incluídas no síndrome pós-cuidados intensivos (PICS). Objetivos: Descrever a experiência de acompanhamento dos sobreviventes de ECMO em 2024 na ULS São João e identificar necessidades não satisfeitas que justifiquem a criação de programas estruturados de seguimento liderados por enfermeiros. Material e Métodos: Estudo observacional, descritivo, realizado com 41 sobreviventes de ECMO em 2024. A recolha de dados foi efetuada por contacto telefónico após a alta, incluindo variáveis clínicas (tempo de internamento, reabilitação), integração nos cuidados de saúde primários, apoios psicológicos e sociais, situação profissional, satisfação e memórias da UCI. Os dados foram analisados através de estatística descritiva, com cálculo de médias, medianas e frequências relativas. O estudo foi conduzido em conformidade com os princípios éticos da Declaração de Helsínquia, garantindo o anonimato dos participantes e a confidencialidade dos dados. Resultados: A média de internamento hospitalar foi de 41 dias (mediana 27; máx. 124). O primeiro contacto de seguimento ocorreu, em média, 4,6 meses após alta. No momento da avaliação, 43,9% encontravam-se em baixa médica e apenas 14,6% em atividade laboral. Memórias da UCI foram relatadas por 70,7%, sendo que 85,4% manifestaram estar muito satisfeitos com os cuidados recebidos. A integração nos cuidados de saúde primários revelou-se elevada, com a maioria dos sobreviventes com médico e enfermeiro de família atribuídos. Contudo, apenas ~70% tiveram acesso a Medicina Física e Reabilitação, ~50% a apoio psicológico (frequentemente no setor privado) e menos de 20% a apoio social estruturado. O seguimento clínico revelou-se heterogéneo, com consultas de reavaliação em regime público e privado. Conclusões: Os dados apontam para lacunas relevantes no acompanhamento estruturado de sobreviventes ECMO, com destaque para o acesso tardio a seguimento e a insuficiência de apoios psicológicos e sociais. O papel da enfermagem é central na coordenação de cuidados, monitorização precoce e apoio ao doente e família.

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Published

2026-03-19

How to Cite

Acompanhamento de Sobreviventes de ECMO após a Alta da Medicina Intensiva. (2026). RevSALUS - International Scientific Journal of the Academic Network of Health Sciences of Lusophone, 8(Sup). https://doi.org/10.51126/k7z0kd91