Soroprevalência, fatores de risco demográficos e tendências da infeção pelo vírus da hepatite C em Luanda, Angola
DOI:
https://doi.org/10.51126/5w9h1g25Palavras-chave:
Vírus da Hepatite C; Seroprevalência; Fatores de risco; AngolaResumo
Introdução: A infeção pelo vírus da hepatite C (HCV) continua a ser uma importante preocupação de saúde pública na África Subsaariana, onde os dados epidemiológicos são limitados, especialmente em países como Angola. Objetivos: Neste estudo, estimamos a soroprevalência da infecção pelo HCV e os fatores de risco demográficos em uma grande população urbana de Luanda, capital de Angola. Material e Métodos: Este foi um estudo de retrospetivo realizado com registos clínicos de 5.399 indivíduos rastreados para anticorpos anti-HCV entre 2020 e 2024 no Laboratório MEDIAG, uma instituição privada de saúde em Luanda, Angola. Resultados: No total, 1,1% dos participantes foram reativos para anti-HCV. A média de idade dos indivíduos positivos para HCV foi significativamente maior do que a dos participantes negativos (47,5±15,7 vs. 37,3±12,5 anos, p<0,001). Indivíduos com mais de 40 anos apresentaram uma prevalência quatro vezes maior (2,1%) em comparação com aqueles com menos de 40 anos (0,5–0,6%). Os homens apresentaram maior prevalência que as mulheres (1,4% vs. 0,9%) e maior risco de infecção (OR: 1,65, p=0,068). De 2020 a 2024, a prevalência de casos de HCV aumentou (0,9% para 1,1%, p=0,984). Neste mesmo período, os casos de HCV aumentaram nos grupos com menos de 20 anos (0% para 5,9%), de 20–30 anos (12,5% para 23,5%) e acima de 40 anos (50% para 64,7%), mas diminuíram no grupo de 31–40 anos (37,5% para 5,9%). Além disso, os casos de HCV diminuíram em mulheres (75% para 47,1%) e aumentaram em homens (25% para 52,9%). Conclusões: Observamos uma maior prevalência de HCV entre adultos com mais de 40 anos e homens ao longo dos últimos 5 anos (2020–2024) na população urbana de Luanda, Angola. Os nossos achados destacam a necessidade de estratégias de triagem direcionadas a grupos de alto risco e de uma vigilância aprimorada para apoiar as metas de eliminação do HCV em Angola.
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