Alterações Neurocognitivas em Pacientes com Malária Cerebral: Estudo no Hospital Geral de Luanda, 2024
DOI:
https://doi.org/10.51126/xyya1994Palavras-chave:
Malária cerebral; défice cognitivo; MoCA; reabilitação neuropsicológicaResumo
Introdução: a malária cerebral é a manifestação mais grave da infeção por Plasmodium falciparum, caracterizada por encefalopatia difusa, perda severa de consciência ou coma profundo, frequentemente associada a convulsões clínicas e subclínicas. Entre os sobreviventes, 10% a 17% desenvolvem défices cognitivos persistentes, com impacto negativo no desempenho escolar, profissional e social, reduzindo a qualidade de vida e as oportunidades de reinserção. Objetivo: avaliar as alterações neuro cognitivas em pacientes com malária cerebral internados no Hospital Geral de Luanda durante o primeiro semestre de 2024, comparando os resultados com um grupo controlo saudável. Metodologia: realizou-se um estudo observacional e transversal com 82 participantes, divididos em dois grupos: 41 pacientes diagnosticados com malária cerebral e 41 indivíduos saudáveis como controlo. A avaliação neuro cognitiva foi efetuada através do teste MoCA (Montreal Cognitive Assessment). Foram analisadas variáveis sociodemográficas (idade, sexo, escolaridade e ocupação) e clínicas (nível de parasitemia e desempenho cognitivo). Resultados: a faixa etária < 20 anos foi a mais afetada pela malária cerebral (41,5%), apresentando o maior índice de défices cognitivos (36,6%). Entre os pacientes, o sexo masculino (68,3%) mostrou maior prevalência de comprometimento cognitivo leve e moderado, enquanto no grupo controlo o desempenho normal foi mais frequente entre as mulheres (51,2%). Quanto à escolaridade, o défice cognitivo foi predominante em indivíduos com ensino básico e médio (85,4%), ao passo que participantes com ensino universitário exibiram melhor desempenho no MoCA. No que se refere à ocupação, estudantes representaram 56,1% dos casos e apresentaram os menores escores cognitivos, enquanto trabalhadores do grupo controlo tiveram melhor desempenho global. A alta parasitemia foi observada em 56,1% dos pacientes e associou-se a alterações cognitivas em 53,6%. No total, 92,7% dos indivíduos com malária cerebral apresentaram défices neuro cognitivos, contrastando com 31,7% no grupo controlo, confirmando uma correlação direta entre intensidade da infeção e comprometimento cognitivo. Conclusão: 0s dados indicam que a malária cerebral está fortemente associada a défices cognitivos, especialmente em populações jovens e estudantes. Os resultados reforçam a necessidade de programas estruturados de reabilitação neuropsicológica e de acompanhamento contínuo para reduzir as sequelas cognitivas e promover a recuperação funcional dos sobreviventes.
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