Intervenção e Valorização da Saúde Mental dos Professores Brasileiros no Ensino Superior
DOI:
https://doi.org/10.51126/hsqrg030Palavras-chave:
Saúde Mental Universitária; Saúde Docente; Valorização Docente; Educação em SaúdeResumo
Introdução: A saúde mental dos professores do Ensino Superior é influenciada por múltiplos fatores sociais e laborais. No contexto brasileiro, a sobrecarga com as funções de ensino, pesquisa, extensão e gestão têm provocado elevado desgaste emocional com aumento do adoecimento psíquico. Soma-se a isto a desvalorização da figura docente e as rápidas transformações do cenário educacional, que ampliam os desafios do exercício profissional. Objetivos: Apresentar os resultados de um programa de intervenção para a valorização da saúde mental de professores universitários brasileiros. Métodos: Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter interventivo, desenvolvida com professores universitários do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil). A intervenção consistiu em encontros formativos, por meio de rodas de conversa complementadas por diários de campo, elaborados pelos pesquisadores, contendo o registo das falas e reflexões que emergiram nos encontros. Os relatos e os dados observados traduziram-se em conteúdos qualitativos para análise. Nesses encontros participaram cinco professores universitários e um doutorando. Resultados: Primeiramente, destacou-se com unanimidade a reduzida participação dos professores em ações formativas, fora da atividade profissional regular. Esta ausência é justificada pela sobrecarga de trabalho, que inviabiliza o engajamento docente em atividades de valorização e autocuidado acadêmico, embora eles reconheçam sua importância. Destacaram-se vários outros desafios, como o aumento de vagas e cursos universitários, o acúmulo de funções, a ansiedade relacionada à progressão de carreira, às dificuldades frente às novas demandas em saúde mental e às especificidades dos estudantes. Embora o crescimento das instituições seja um aspeto positivo, as infraestruturas e o número de docentes não o acompanharam, gerando impactos na qualidade de vida dos professores. Além disso, o sistema de progressão baseado predominantemente na produtividade científica desmobiliza o ato educativo e a construção da comunidade acadêmica. Conclusões: Conclui-se que as intervenções direcionadas para a valorização do bem-estar e saúde mental dos professores precisam de ser integradas nas preocupações institucionais, a fim de se construírem ambientes universitários mais humanizados e comprometidos com o bem-estar coletivo e com a qualidade do Ensino Superior.
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