Potencial dos sensores colorimétricos para a monitorização rápida e in situ da exposição ocupacional a pesticidas
DOI:
https://doi.org/10.51126/h3j8p717Palavras-chave:
Sensores colorimétricos; Pesticidas; Exposição ocupacional; Trabalhadores agrícolas; MonitorizaçãoResumo
A exposição ocupacional a pesticidas representa um risco relevante para a saúde dos trabalhadores agrícolas, exigindo o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e acessíveis de monitorização. Nesta perspetiva, surgem os sensores colorimétricos como alternativa promissora aos métodos analíticos convencionais, pela sua simplicidade, baixo custo, rápida resposta e fácil interpretação. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo analisar e sintetizar a literatura recente sobre sensores colorimétricos desenvolvidos para deteção de pesticidas, identificando os seus princípios de funcionamento, materiais utilizados, limites de deteção, tempos de resposta e potencial para aplicação neste contexto. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura publicada entre 2018 e 2025 nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e Web of Science, utilizando a expressão “sensors” AND “colorimetric” AND “pesticides” AND “occupational exposure” AND “farmworkers”. Face à escassez de estudos específicos sobre a aplicação destes sensores na monitorização da exposição ocupacional a pesticidas, incluíram-se, para análise, artigos sobre a utilização deste mecanismo na deteção destas substâncias com aplicação nas áreas alimentar e ambiental desde que relacionados com mecanismos colorimétricos relevantes. Foram analisados onze estudos, maioritariamente, direcionados para a deteção de inseticidas organofosforados. A maioria dos sensores baseou-se na inibição enzimática da acetilcolinesterase (AChE), traduzida numa mudança de cor visível. Os tempos de resposta mostraram-se rápidos, variando entre um e trinta minutos. Os limites de deteção determinados situaram-se na ordem dos nanogramas a microgramas por litro. Os materiais mais utilizados incluíram nanopartículas de ouro e de prata, polímeros naturais e dispositivos produzidos em papel. As principais vantagens notadas compreendem a elevada sensibilidade, seletividade e estabilidade, a facilidade de uso sem necessidade de instrumentação dispendiosa e a possibilidade de observação a olho nu, permitindo uma deteção rápida in situ. Apesar disso, a maioria dos sensores foi testada apenas em condições laboratoriais ou em amostras hortícolas, evidenciando a necessidade de validação em contextos reais agrícolas. Conclui-se que os sensores colorimétricos revelam elevado potencial como ferramentas práticas e económicas para a deteção de pesticidas, constituindo uma base promissora para futuras aplicações na monitorização da exposição ocupacional e na proteção da saúde dos trabalhadores agrícolas. Futuras investigações devem focar-se na adaptação e validação dos mesmos.
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