Determinantes Sociais da Saúde e Recuperação Funcional após Artroplastia Total Invertida do Ombro em Idoso: Estudo de Caso
DOI:
https://doi.org/10.51126/czg5ja42Palavras-chave:
Artroplastia total invertida do ombro, fisioterapia, idosos, determinantes sociais da saúde, reabilitaçãoResumo
Introdução: O envelhecimento populacional tem contribuído para o aumento da incidência de patologias degenerativas do ombro, como ruturas massivas da coifa dos rotadores. A Artroplastia Total Invertida do Ombro (ATIO) constitui uma solução cirúrgica eficaz para restaurar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida, mesmo na ausência de uma coifa funcional. Contudo, a recuperação não depende apenas da técnica cirúrgica ou do protocolo de fisioterapia, sendo fortemente influenciada pelos determinantes sociais da saúde (DSS) que modulam a adesão, a funcionalidade e os resultados. Objetivos: Descrever o processo de reabilitação precoce de um utente idoso submetido a ATIO e analisar a influência dos DSS na sua evolução clínica e funcional. Material e Métodos: Estudo de caso de um homem de 82 anos submetido a uma ATIO, com diversas comorbilidades, apresentando um estilo de vida sedentário e condições habitacionais adversas. A intervenção decorreu durante cinco semanas, com três sessões semanais, em clínica privada, seguindo um protocolo estruturado de reabilitação precoce. Instrumentos de avaliação: escala visual numérica (EVN) para dor, goniometria para amplitude de movimento, teste muscular funcional para a força e escala DASH para incapacidade funcional. O protocolo incluiu mobilizações passivas, ativo-assistidas e ativas, exercícios de fortalecimento progressivo e técnicas para o ganho de amplitudes articulares. Resultados: Apesar dos determinantes desfavoráveis como: idade, comorbilidades, condição socioeconómica limitada e sedentarismo verificou-se evolução clínica consistente. A dor em repouso reduziu de 5 para 0/10 (EVN) e o DASH melhorou de 42,24% para 33,62%. A flexão evoluiu de 82° passiva para 130° passiva e 125° ativa, abdução de 73° passiva para 120° passiva e 95° ativa, e a rotação externa na reavaliação atingiu 30° passiva e 20° ativa. A força dos flexores e abdutores progrediu para 2+ no teste muscular funcional. O acesso contínuo a cuidados especializados, apoio familiar e adesão ativa mitigaram as barreiras dos DSS e sustentaram os ganhos. Conclusões: A integração sistemática dos DSS no raciocínio clínico e na elaboração do plano de intervenção em fisioterapia permite mitigar barreiras estruturais e promover uma reabilitação mais equitativa e centrada no utente, otimizando resultados funcionais sustentáveis em populações idosas com elevada vulnerabilidade.
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RevSALUS - Revista Científica Internacional da Rede Académica das Ciências da Saúde da Lusofonia

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.







Endereço e contactos: