Microbioma Materno: implicações para a Saúde Obstétrica e Neonatal
DOI:
https://doi.org/10.51126/b7rex841Palavras-chave:
Microbioma; Saúde Materna; Gravidez; ObstetríciaResumo
Introdução: O microbioma genital feminino tem emergido como um dos temas mais relevantes da investigação biomédica, com impacto crescente na saúde materna e obstétrica. Este ecossistema composto predominantemente por espécies do género Lactobacillus exerce funções essenciais na manutenção da homeostase, na prevenção de infeções e na regulação da resposta imunitária local (1). Durante a gravidez, o equilíbrio microbiano vaginal assume um papel fundamental, sendo que alterações na sua composição podem estar associadas a quadros clínicos graves, como parto pré-termo, rutura prematura de membranas, complicações infeciosas e impacto na saúde neonatal (1-3). Objetivos: O objetivo desta revisão da literatura consiste em sintetizar o conhecimento existente sobre o papel do microbioma materno durante a gravidez. Metodologia: Foi construída a frase booleana ("vaginal microbiome" OR "vaginal microbiota") AND ("maternal health") que serviram de base à estratégia da pesquisa de revisão de literatura. Procedeu-se a um estudo de revisão sistemática da literatura a partir da base de dados eletrónica: PUBMED, de setembro-2024 a setembro-2025. Os critérios de inclusão foram artigos de texto integral publicados no último ano (2024-2025). Os critérios de exclusão definidos foram as publicações anteriores a 2024 e artigos que não abordem microbioma e saúde materna. Foram encontrados oito artigos. Resultados: Dos artigos encontrados, foram analisados seis (6) artigos, nesta revisão da literatura narrativa, os quais evidenciam o papel predominante e fundamental de Lactobacillus spp. durante a gravidez associada à proteção frente a vaginoses bacterianas, infeções ascendentes e parto pré-termo. Situações de disbiose vaginal com maior diversidade microbiana, incluindo espécies potencialmente patogénicas como Gardnerella vaginalis, relacionam-se com processos inflamatórios e aumento do risco de complicações obstétricas. Demostram que a transmissão vertical do microbioma materno influencia diretamente a colonização inicial do recém-nascido, com implicações para o desenvolvimento do sistema imunitário e prevenção de doenças metabólicas e infeciosas. Intervenções emergentes, como utilização de probióticos contendo Lactobacillus spp., transplante de microbiota vaginal e estratégias de modulação dietética, apresentam resultados preliminares promissores, embora ainda careçam de ensaios clínicos de grande escala que confirmem a sua eficácia e segurança. Conclusão: O microbioma materno representa um campo inovador e com forte impacto na saúde obstétrica e neonatal. A investigação neste domínio abre caminho para novas formas de prevenção e intervenção, conjugados entre evidência científica, protocolos clínicos adequados e programas específicos de literacia em saúde. Promover a capacitação de grávidas e profissionais de saúde sobre a importância do microbioma materno e as suas implicações constitui uma prioridade estratégica para melhorar os cuidados obstétricos e neonatais.
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