O Impacto dos Detritos Metálicos na Progressão da Peri-implantite
DOI:
https://doi.org/10.51126/gj05nt70Palavras-chave:
Peri-implantite; Corrosão de implantes; Reabsorção óssea; Etiologia; Doença peri-implantarResumo
Introdução: A peri-implantite é uma condição inflamatória crônica que compromete os tecidos peri implantares, levando à perda óssea progressiva e possível falha do implante (1). Frequentemente assintomática pode evoluir para infeção grave e necessidade de intervenções complexas. Estima-se que 22% dos implantes desenvolvam peri-implantite, e que 5% a 11% falhem entre 10 e 15 anos após a colocação (2,3). Embora as suas causas sejam multifatoriais, envolvendo fatores biológicos, mecânicos e iatrogénicos, tem crescido o interesse em investigar o contributo das partículas metálicas geradas por processos de corrosão das ligas implantáveis. A degradação da camada passiva de dióxido de titânio (TiO₂) pode levar à libertação de detritos metálicos, fagocitados por células do sistema imunitário, resultando na ativação de vias inflamatórias. (1-3). Objetivos: Investigar as causas da peri-implantite, com ênfase na contribuição da corrosão de ligas implantáveis para a sua patogénese e impacto clínico, visando orientar estratégias preventivas e terapêuticas. Material e Métodos: Realizou-se uma revisão de escopo segundo as diretrizes PRISMA-ScR. Foram pesquisadas as bases PubMed® e Scopus® utilizando combinações entre: peri-implantite, corrosão de implantes, reabsorção óssea, etiologia, doença peri-implantar. Incluíram-se artigos originais e revisões sem restrições linguísticas ou temporais. As causas foram categorizadas em biológicas, mecânicas, iatrogénicas e materiais. Resultados: Dois artigos da revisão de escopo foram discutidos(1,2), além das recomendações clínicas da Federação Europeia de Periodontologia (EFP) de 2023. (3). Identificaram-se como fatores principais: biofilme bacteriano, histórico de periodontite, má higiene oral, oclusão inadequada e posicionamento incorreto do implante(1,3). Em paralelo, a corrosão das ligas de titânio e consequente libertação de partículas metálicas demonstraram impacto relevante na resposta inflamatória local, evidenciado em modelos “in vivo” e “in vitro”(2,3). As partículas variam em tamanho (nano e submicrométricas), composição elementar e química (Ti, Al, V) e reatividade biológica, ativando macrófagos e mediadores como RANKL, IL-1β e TNF-α, e interferindo na osteointegração.(2) Conclusões. A peri-implantite resulta da interação entre múltiplos fatores, incluindo a corrosão dos implantes. A deteção precoce e o controlo dos fatores de risco assumem, portanto, um papel fundamental. A compreensão aprofundada dos efeitos celulares induzidos pelos detritos metálicos poderá contribuir para a otimização das abordagens terapêuticas e para a prevenção da progressão da doença.
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