Frequência e Fatores Associados à Anemia em Crianças de 6–8 Meses em Maputo, Moçambique, 2024
DOI:
https://doi.org/10.51126/x9r00048Palavras-chave:
Anemia infantil; alimentação complementar; rendimento familiar; cuidadores; MoçambiqueResumo
Introdução: A malnutrição, que inclui a desnutrição, as deficiências de micronutrientes e o excesso de peso, continua a ser um importante desafio global de saúde pública, responsável por cerca de 45% das mortes em crianças menores de cinco anos. Entre as suas manifestações, a anemia por deficiência de ferro é a mais prevalente, especialmente na África Subsaariana. Crianças de 6–23 meses são as mais vulneráveis, e em Moçambique as frequências permanecem elevadas, inclusive em contextos urbanos. Objetivos: Estimar a frequência de anemia em crianças de 6–8 meses; e analisar fatores associados, com destaque para rendimento familiar e conhecimento dos cuidadores. Material e Métodos: Realizou-se, em 2024, um inquérito transversal de linha de base em dois centros de saúde primários da Província e Cidade de Maputo. Participaram 496 pares criança-cuidador. Foram recolhidos dados sociodemográficos, antropométricos e clínicos. As crianças foram submetidas a avaliações antropométricas e à determinação da concentração de hemoglobina utilizando o equipamento HemoCue. Os cuidadores responderam a um questionário estruturado de conhecimentos, atitudes e práticas (KAP) sobre alimentação infantil. Foram realizadas análises estatísticas descritivas, e as associações entre as variáveis estudadas e a presença de anemia foram avaliadas mediante o teste do qui-quadrado, considerando-se nível de significância de p<0,05. Resultados: A frequência de anemia foi de 77,0%, predominando a forma moderada (48,6%).
Verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre a anemia e o nível de conhecimento dos cuidadores (p=0,001), bem como entre a anemia e o rendimento familiar (p=0,020). Entre os cuidadores com conhecimento adequado, 83,8% das crianças apresentaram anemia. A anemia foi mais frequente entre crianças de famílias com rendimento inferior ou igual ao salário mínimo (80,1%). Conclusões: A anemia em crianças de 6–8 meses é elevada em Maputo e reflete determinantes multifatoriais. As associações com conhecimento adequado e baixo rendimento reforçam a necessidade de intervenções integradas combinando educação nutricional contínua e ampliação do acesso à suplementação com micronutrientes, sobretudo entre famílias de baixo rendimento, visando reduzir a anemia infantil em contextos urbanos. Apoia-se, adicionalmente, a recomendação da Organização Mundial da Saúde de reavaliar os limiares de hemoglobina em contextos específicos.
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