Literacia na Perturbação Obsessivo-Compulsiva: Resultados de Estudo Transversal
DOI:
https://doi.org/10.51126/6mfv0k33Palavras-chave:
POC; ISRS; Efeitos adversos; Literacia em saúde; Saúde MentalResumo
Introdução: A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é uma condição psiquiátrica crónica e incapacitante (Singh et al., 2023), com elevado impacto funcional, mas cujo conhecimento público continua associado a algum estigma social, perpetuando conceções erradas (Alves et al., 2025; Chaves et al., 2022). Objetivos: Este estudo transversal teve como objetivo avaliar a perceção da população sobre a POC, nomeadamente a sua origem, manifestações clínicas e abordagens terapêuticas. Material e Métodos: Foi elaborado e aplicado um questionário anónimo online, obtendo-se uma amostra de 546 participantes, maioritariamente do sexo feminino (79,1%), com idade média de 35 anos e diferentes níveis de escolaridade. O estudo respeitou a Declaração de Helsínquia, com garantia de consentimento informado e confidencialidade, tendo obtido aprovação pela Comissão de Ética da Egas Moniz. Resultados: A maioria dos participantes (90,3%) declarou estar familiarizada com a POC e 58% identificaram-na corretamente como uma perturbação de ansiedade. Do total, 4,7% reportaram diagnóstico pessoal e 32,9% conheciam alguém próximo com POC. Os sintomas mais associados à doença foram comportamentos repetitivos (92,7%) e pensamentos intrusivos (83,2%). As causas da doença mais referidas incluíram experiências traumáticas ou stressantes (76,5%), perturbações mentais concomitantes (75,3%) e fatores genéticos (53,1%). Contudo, foram também atribuídas causas incorretas, como o perfecionismo, fraqueza emocional e falta de autocontrolo, refletindo a persistência de estigma social. Quanto ao tratamento, 77,9% reconheceram a psicoterapia e 58% a medicação como opções terapêuticas. No âmbito do tratamento farmacológico, 47,2% identificaram corretamente os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina como fármacos de primeira linha. Os efeitos adversos mais mencionados foram a sonolência (67,8%), o aumento de peso (60,5%) e a disfunção sexual (53,1%). Conclusões: Os resultados evidenciam a existência de lacunas na perceção da POC, sobretudo quanto à origem da perturbação e tratamento farmacológico. As conceções baseadas no estigma evidenciam a necessidade de programas educativos que promovam a literacia em saúde mental, essenciais para ampliar o conhecimento, favorecer o diagnóstico precoce e reduzir o estigma associado à POC.
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